Temos tendência a celebrar datas especiais, assinalar eventos recorrentes nas nossas vidas porque são “dignos” de comemoração – ou de recordação – e eu não sou exceção, óbvio. Quem me conhece, sabe que me pelo por um festão, uma festa, uma festinha, ou um simples ajuntamento, mesmo que diretamente proporcional à malvada pandemia que resolveu assolar os nossos dias para dar aqui “uma animada” (affff, como se precisássemos… ou será que sim?).

Ora, eu sou a pessoa que fica com dores de cabeça, se ficar fechada em casa um dia inteiro. Imaginem um ano (ah, espera, vocês também sabem o que é…). Pois bem, nos últimos tempos, os efeitos colaterais que o contexto do vírus nos criou têm sido, para mim, bastante mais nefastos do que o desgraçado do “bicho” em si. Sentia-me exausta, desmotivada, desmoralizada, triste, às vezes zangada e quase sempre sem uma pinga de energia. Achei que estava deprimida.

E depois um dia, o meu marido enviou-me um artigo do NYT e parece que as peças do puzzle, antes viradas ao contrário, se voltaram subitamente para cima e eu consegui, em muitos meses, voltar a vislumbrar um cenário no qual cabiam uma e outra peça do puzzle, até finalmente encaixarem todas. O meu puzzle ainda não está completo, mas começo a conseguir ver a imagem que dele sairá e gosto dela 🙂

Resolvi escrever um pouco sobre isto, que em nada tem a ver com coleções de verão ou tecidos de fibras naturais, ou a tendência do lilás nesta primavera, porque ao desabafar no atelier com algumas clientes queridas (que são também boas amigas, e vice-versa) sobre como me sentia, percebi que esta nuvem cinza que pairava sobre mim, paira igualmente sobre muitas das nossas cabeças. E nós, mulheres, que já achamos (erradamente) que temos que carregar o mundo nas costas, ainda nos impelimos a fazer o sol irromper teimosamente por entre a tempestade que nos assola. Alguém se relaciona? Pois, claro.

Por isso, partilho hoje convosco o artigo que de vos falei: Feeling blah? Meh? There’s a name for that: languishing. Não é física quântica, nem tem a cura para o cancro, mas com sorte e alguma fé, poderá ser um turning point para algumas pessoas que, como eu, descodificam que, afinal, o que estão a sentir é natural, fruto do momento que vivemos, comum a outras tantas e tem solução à vista.

No meu caso, voltar a treinar (estava parada desde Dezembro!), foi o catalisador para tudo o resto começar a fluir – energia gera energia e vamos para a frente, que atrás vem gente!

Faz sentido celebrarmos as datas marcantes das nossas vidas? Faz. Esses dias especiais podem ser “apenas” aqueles em que jantamos em família ou levantamos os olhos para ver a copa das árvores a caminho do emprego? Totalmente!

Porque o primeiro dia do resto das nossas vidas é todos os dias, e não o que marca mais um aniversário, um novo ano ou celebração de casamento. Vamos a isso?